A vontade de morar fora do Brasil nunca foi tão expressiva. Segundo a mais recente edição do Observatório Febraban, 4 em cada 10 brasileiros dizem que pensam em emigrar. A pesquisa, realizada entre novembro e dezembro de 2025 com cerca de 3 mil pessoas em todas as regiões do país, registra o maior percentual já observado desde o início do levantamento.
O desejo de emigrar é mais intenso entre os jovens. Entre pessoas da Geração Y, com idades aproximadas entre 28 e 43 anos, metade dos entrevistados afirma querer morar no exterior. Na Geração Z, o percentual chega a 44%. Já entre a Geração X, a intenção cai para 35%, e entre os Baby Boomers, para 25%. Os dados indicam que a decisão está fortemente ligada ao momento de vida, às perspectivas profissionais e às responsabilidades familiares.

A Europa aparece como principal destino no imaginário dos brasileiros que pensam em sair do país, concentrando cerca de 60% das preferências. Portugal lidera a lista, seguido por Itália, Espanha, Inglaterra, Suíça e Alemanha. Idioma, laços culturais, redes já estabelecidas de brasileiros e a percepção de maior segurança e previsibilidade institucional ajudam a explicar essa escolha.
Entre os fatores que impulsionam o desejo de emigrar estão a insegurança pública, a busca por melhores oportunidades de trabalho e renda, a qualidade de vida e a frustração com o futuro econômico do país. Analistas apontam que a recorrente sensação de estagnação, marcada por ciclos curtos de crescimento, reforça a percepção de que o Brasil oferece poucas perspectivas de longo prazo.
Apesar dos atrativos, a Europa também apresenta desafios relevantes. Nos últimos anos, vários países endureceram regras migratórias, ampliaram exigências para vistos e aumentaram o tempo necessário para obtenção da cidadania. O custo de vida elevado, especialmente com moradia, e a valorização do euro dificultam a adaptação de quem depende de renda em real.
Além disso, barreiras linguísticas, dificuldades na validação de diplomas e maior precarização do trabalho entre imigrantes são obstáculos comuns. Profissionais de áreas reguladas frequentemente enfrentam processos longos e caros para exercer a profissão, o que leva muitos a aceitar empregos abaixo da qualificação inicial.
O levantamento da Febraban chama atenção por um ponto adicional: a intenção de emigrar apareceu em uma pesquisa cujo foco principal não era migração, mas economia e percepção sobre o Brasil no cenário internacional. Isso reforça a ideia de que o desejo de sair do país se tornou um elemento estrutural do debate sobre futuro, estabilidade e qualidade de vida.

Entre o desejo de partir e a decisão de mudar de país, especialistas alertam que planejamento é essencial. Ter visto adequado, avaliar o mercado de trabalho, calcular custos reais e investir em idioma são passos decisivos para transformar a intenção de emigrar em uma experiência segura e bem-sucedida.
Fonte: Febraban


